

CARCINOMATOSE
PERITONEAL
ENTENDA O QUE É A CARCINOMATOSE PERITONEAL E SUAS CAUSAS
O QUE É CARCINOMATOSE PERITONEAL?
Antes de tudo, é importante entender que a disseminação tumoral pode ocorrer por três vias principais: linfática, hematogênica e peritoneal. A carcinomatose peritoneal é justamente o resultado dessa terceira via.
-
Nos casos de invasão da circulação linfática, as células tumorais migram até os linfonodos (gânglios) próximos ou distantes ao órgão, desenvolvendo as chamadas metástases linfáticas.
-
Quando ocorre a invasão de vasos sanguíneos, as células do tumor migram até outro órgão, sendo os mais comuns o fígado e o pulmão, desenvolvendo as chamadas metástases hematogênicas.
-
Alguns tumores abdominais se espalham a partir de células que se desprendem de sua superfície e caem no pequeno volume de líquido peritoneal que existe em condições normais no abdome para manter as vísceras umedecidas e lubrificadas. Esse líquido possui um fluxo de deslocamento e distribuição pela cavidade abdominal e leva as células neoplásicas com ele. As células, por sua vez, acabam se depositando em determinadas áreas da cavidade abdominal, principalmente em recessos e sulcos (entenda o que é o peritônio), onde permanecem por muito tempo e se aderem ao peritônio dessa região. Com o tempo, esse processo se estende para a superfície das vísceras abdominais e outras regiões da parte interna da parede abdominal revestidas pelo peritônio.
A carcinomatose peritoneal corresponde a essa condição, na qual as células cancerosas se disseminam pelo peritônio e podem causar o crescimento de múltiplos tumores secundários nessa membrana. É uma complicação comum em certos tipos de câncer, como o câncer colorretal, o câncer de ovário, o câncer gástrico (estômago) e o câncer de pâncreas. Em alguns casos, as células cancerosas também podem se espalhar através da circulação sanguínea ou do sistema linfático, chegando ao peritônio a partir de órgãos distantes (veja mais adiante no texto).
Entenda melhor o que é o peritônio aqui.

Neoplasia mucinosa do apêndice cecal com ruptura e extravazamento de conteúdo e disseminação de células

Sentido do fluxo na cavidade peritoneal com transporte das células cancerosas que se implantam no peritônio

Desenho esquemático ilustrando nódulos disseminados na superfície peritoneal

Imagem de cavidade abdominal com grande volume de carcinomatose acometendo o omento maior
QUAIS DOENÇAS PODEM LEVAR À CARCINOMATOSE PERITONEAL?
A carcinomatose peritoneal é classificada de acordo com a origem das células que se disseminaram pelo peritônio, ou seja, de qual tumor primário elas surgiram. Dessa forma, temos dois tipos de câncer de peritônio:
-
Primário: o câncer primário, ou seja, que começa no próprio peritônio, é considerado raro, acometendo algo em torno de quatro ou cinco pessoas numa população de 100 mil. Ele se forma na própria membrana e se apresenta como dois tipos: o mesotelioma peritoneal, um pouco mais comum; e o carcinoma primário do peritônio, mais raro.
-
Secundário: é mais frequente que o tipo primário, se inicia em algum outro órgão — sobretudo intestino, apêndice cecal, ovário, útero, estômago, pâncreas — e posteriormente se implanta no peritônio, como metástase. São as chamadas metástases peritoneais do tumor que dão origem à carcinomatose peritoneal. Um cenário muito comum é o tumor mucinoso originário do apêndice cecal que, quando se dissemina pela cavidade, recebe o nome de pseudomixoma peritoneal, uma síndrome decorrente da carcinomatose que você pode entender melhor clicando aqui.

Imagem mostrando acometimento de meso (mesentério) do intestino delgado por implantes peritoneais confluentes
Vídeo mostrando uma videolaparoscopia para investigação de um quadro de carcinomatose de origem desconhecida. Foram realizzdas biopsias para auxiliar no diagnóstico.
QUAIS OS SINTOMAS MAIS COMUNS?
A carcinomatose peritoneal pode se manifestar de formas variadas, e os sintomas costumam depender do tipo e do estágio do tumor de origem. Os mais comuns incluem dor e distensão abdominal, sensação de estufamento, perda de apetite, perda de peso sem motivo aparente, náuseas, vômitos, fadiga e alterações no funcionamento intestinal.
Também é comum a presença de ascite — acúmulo de líquido dentro do abdômen, que causa aumento progressivo da barriga e sensação de peso, muitas vezes confundida com simples inchaço.
É importante saber que, no início, esses sintomas costumam ser discretos e inespecíficos — o que frequentemente atrasa o diagnóstico. Por isso, sintomas persistentes merecem avaliação médica, mesmo que pareçam leves.
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA CARCINOMATOSE PERITONEAL?
Ao se deparar com um caso de metástases peritoneais, é preciso iniciar uma ampla investigação para tentar identificar onde a doença teve início, já que a grande maioria dos casos de tumores no peritônio são metástases de outros órgãos — ou seja, tumores secundários. São analisados vários dados pelo especialista que, por ter conhecimento na área, dirige o raciocínio clínico para as mais prováveis hipóteses diagnósticas. Idade, sexo do paciente, doenças prévias, exames de imagem, marcadores tumorais e outras informações ajudam a chegar ao diagnóstico.
O diagnóstico da carcinomatose peritoneal geralmente é feito por meio de exames de imagem, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) do abdômen, sempre laudados por radiologistas especializados na doença. Esses exames podem ajudar a identificar a presença de tumores no peritônio e determinar a extensão da disseminação do câncer.
Caso não seja identificado o foco inicial da doença, ou caso haja suspeita de um câncer primário do peritônio, é realizado um método mais invasivo de diagnóstico, a videolaparoscopia com biópsia (retirada de fragmentos para exame com auxílio de uma câmera introduzida pelo umbigo). Este material é analisado pelo patologista, que nos informa a provável origem do tumor primário que gerou as metástases peritoneais e nos guiará no tratamento.
O ideal é que este procedimento seja feito pelo médico especializado em carcinomatose peritoneal, pois, além da biópsia, fazemos uma avaliação minuciosa da cavidade abdominal. Informações como os locais de implantes no peritônio e a quantidade de doença presente (linkar para /indice-de-cancer-peritoneal) são importantes para definir a conduta no tratamento. Por exemplo, se é possível partir para a cirurgia após o diagnóstico, quais estruturas ou vísceras precisariam ser removidas, ou se o cenário indicaria inicialmente a realização de quimioterapia para depois programar a cirurgia. O próprio posicionamento correto dos portais de laparoscopia é importante para o planejamento do tratamento futuro.
As imagens abaixo mostram como é feita a videolaparoscopia e o aspecto da carcinomatose dentro do abdome. Através de pequenas incisões e uma microcâmera, é possível avaliar a cavidade peritoneal e obter biópsias para o diagnóstico, num procedimento minimamente invasivo. Isto permite rápida recuperação quando comparado a cirurgias abertas e, consequentemente, início rápido da quimioterapia.



QUAL O TRATAMENTO PARA A CARCINOMATOSE PERITONEAL?
Uma vez que a carcinomatose peritoneal é diagnosticada, o tratamento depende do tipo e estágio do câncer subjacente, bem como da saúde geral do paciente. Em casos selecionados, a cirurgia citorredutora com HIPEC costuma ser a abordagem mais indicada. A cirurgia citorredutora é um procedimento em que os tumores visíveis no peritônio são removidos, seguido de uma quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC), na qual uma solução aquecida de quimioterapia é administrada diretamente no abdômen para destruir células cancerosas remanescentes. Este tratamento pode ajudar a aliviar os sintomas e melhorar a sobrevida em
CLIQUE AQUI PARA MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE A CIRURGIA DE CITORREDUÇÃO E A HIPEC
É importante ressaltar que a carcinomatose peritoneal é uma condição grave e que o prognóstico pode variar dependendo do estágio do câncer subjacente, da extensão da disseminação e da resposta ao tratamento. O tratamento varia de caso a caso, e uma avaliação completa é fundamental para definir a indicação mais adequada. É essencial que os pacientes recebam cuidados especializados de uma equipe médica experiente no tratamento da carcinomatose peritoneal. Agende uma consulta para uma avaliação individualizada do seu caso.






